segunda-feira, 22 de julho de 2013

Análise crítica do espetáculo "Números" - Grupo Os Geraldos

ESPETÁCULO “NÚMEROS”

Como toda ansiedade causa efeito de espera gigantesca, na apresentação do primeiro espetáculo do FESTA (Festival São-carlense de Teatro) realizado do dia 15 á 21 de julho, o espetáculo “Números” do Grupo Os Geraldos da cidade de Campinas-SP nos brinda com um início muito intimista com a presença das personagens indo ao encontro do público com carisma e quebrando a distância entre o palco, atuação e plateia. Como vendedores de iguarias eles acabam arrancando sorrisos e desmistificando a participação atuante da plateia no início do espetáculo. Como na tradição mambembe a diversidade dos trabalhos para ajudar na manutenção da sobrevivência no contexto do enredo é demostrada a construção dos atores que revelam isso na atuação inicial. Já no palco a estética da configuração da disposição do espaço de atuação foi resolvida de maneira impar com o formato de um picadeiro com cortinas dando um efeito circense. Tudo sendo conduzido por uma personagem que sem medo de ser e fazer o ridículo acrescenta a comicidade na construção da peça. O ridículo deve ser encarado não como menosprezo, mas sim como um fato importante para a dinâmica na linha da história. Acreditar e viver o ridículo. O ator se mostra confiante e completamente consciente do seu papel e de sua condução. Com aspectos muito próximos a uma personagem do Sitio do Pica Pau Amarelo escrito pelo autor Monteiro Lobato e tão difundido na televisão, essa personagem que muito se assemelha a personagem do Pesadelo, levanta o aspecto infantil e o pensamento arteiro. Com dentes no qual ao olhar nos traz asco, para ele é de uma beleza inocente e as falas com uma aceleração que muito não nos permite o entendimento ficam como um propósito intencional para tornar a personagem engraçada e carismática que de cara conquista o público. A sequencia das personagens e sua ações vão criando pequenas ligações com o público na medida em que seus trabalhos de uma maneira atrapalhada e cômica leva a cena elementos de estudo através de técnicas construídas na história da comicidade. Essas técnicas não são demostradas no espetáculo, mas fica claro a intenção de não usá-las para dar um caráter específico à atuação, mas se percebe um conhecimento delas na memória. Chamo a atenção para o início quando é apresentado uma personagem que ao entrar em cena com uma cadeira começa a construção de ações de um número tantas vezes já realizado pelos tempos pode dar uma beleza com movimentos suaves e de pura condução eficaz com a interação da construção do corpo da personagem que com movimentos repetitivos se torna uma ação característica da personagem. A plateia é levada a ter a consciência que o exagero da maquilagem das personagens, o figurino e as apresentações em cada número é ter a consciência de um enredo livre em eu sentido de condução, mas claro segundo um “norte”, e a indução da percepção da realização de alguns truques. O preparo físico e técnico dos atores revela o trabalho constante e profissional do grupo. A iluminação simples dá um efeito positivo e claro à peça. Gostaria de considerar que em alguns momentos a continuidade e insistência em algumas indicações na “brincadeira” para se tirar o sorriso do público poderia ser evitada com objetivo mais curto e direto e perceber esse paralelo com a perda do foco com o alcançado e o desnecessário. Sobre a direção é nítido notar a parte técnica do palco em sua ocupação e o incentivo aos atores pela busca da experimentação e descobrimento do seu propósito. Para terminar o Grupo Os Geraldos ministrou um workshop sobre a tradição cômica e os princípios da comicidade onde foi introduzida a consciência sobre a trajetória desse gênero e que é tão trabalhado até os dias de hoje e como muitas coisas que já foram feitos e que funcionam bem e que cada um consegue colocar seu “dedo” no trabalho e na execução. Uma tarde muito importante para começar a aguçar a curiosidade da busca pelo conhecimento dessa maneira tão lúdica e tão buscada pelo público. Enfim...o FESTA começou no que se diz respeito em suas apresentações com um trabalho muito cativante e de uma escolha pertinente. Essas são observações e uma análise que nunca serão destrutivas, mas sempre com o intuito de poder ajudar.

sábado, 13 de julho de 2013

POR DENTRO DA CAIXA - TERMOS E UTILIZAÇÕES/ PALCOS

POR DENTRO DA CAIXA




Palco é o local para a apresentação de artistas em peças de teatro, dança, grupos musicais e outros. Em nossos dias, os palcos são construídos com três tipos básicos: palco italiano, palco de semi-arena e palco de arena.

Palco italiano: onde os espectadores ficam apenas de frente. Geralmente situa-se mais distante da platéia;



Palco de semi-arena: constituído de uma plataforma que avança pela platéia, ficando esta disposta e
semicírculo ao seu redor. Ele aproxima mais os espectadores do ator;




Palco de arena: área triangular situada no fundo da platéia. O público senta-se em uma especie de poleiro a seu redor. Geralmente, os teatros de arena são muito pequenos, de modo que os atores e o público mantêm uma relação mais estreita;





Palco elizabetano: Tem a característica de um palco misto. É um espaço fechado, retangular, com uma grande ampliação de proscênio (em formato retangular ou circular). O público o circunda por três lados: Retangular, circular ou misto.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

PRÓLOGO "VALE CULTURA"



VALE CULTURA: UMA COMPROVAÇÃO DA INCOMPETÊNCIA

Um projeto que está sendo levado muito a sério e que está prestes a ser aprovado ou melhor sancionado é a iniciativa do governo de criar um vale cultura. Benefício mensal de R$ 50 para a aquisição de bens culturais por parte de trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos.
Agora, todas as empresas poderão oferecer a seus funcionários o vale, uma das principais bandeiras da gestão Marta Suplicy no Ministério da Cultura. Micro e pequenos empresários, não terão incentivo fiscal para entrar no programa, estão na contra mão das empresas de lucro real que terão mais generosidade do governo: eles poderão destinar ao Vale-Cultura até 1% do Imposto de Renda devido. A isenção fiscal (ou seja, o governo) financia R$ 45 do benefício, e os R$ 5 restantes ficam a cargo do trabalhador ou da empresa. Serão cerca de 42 milhões de beneficiários em potencial, segundo cálculos do MinC. De acordo com um estudo da Fundação Perseu Abramo, 91% dos municípios brasileiros não têm cinema, 79% não possuem teatros ou salas de espetáculo, 70% não contam com centros culturais e apenas 28% dispõem de ao menos uma livraria. O vale virá em cartão magnético, assim como são os cartões de vale-transporte e refeição. Todos os meses o cartão será abastecido com R$ 50, que pode ser acumulado mês a mês. Quando não consegue solucionar problemas o mais óbvio e a maneira mais imediata é criar um tapa buraco para amenizar e calar solicitações de um problema social e que as soluções são amplamente ineficientes.
Simples! Problema resolvido. Dar uma pequena “esmola” as pessoas para terem acesso á cultura. Genial! Não! Claro que não! É o fracasso da gestão em termos educativos e culturais. Há muito cobra-se incentivos a grupos e cias amadoras e profissionais, com mais facilidades e menos burocracia para a capitação de recursos.
Muitas empresas não querem associar sua imagem e marca a cias e grupos desconhecidos e só realizam a parceria com grandes companhias e grupos, com status consagrados e artistas famosos. Correto! Mas em termos. Precisa-se dar crédito e confiar no trabalho de muitos que podem não ter o reconhecimento da grande maioria por falta de mídia e apoio, mas precisam de atenção e assim ter os “olhos” voltados para seus trabalhos para que tenhamos um grande ganho para o fortalecimento da cultura em todo país. Sair do lugar comum. É preciso ter planos de geração de incentivos e fomentar grupos e cias com elementos mais favoráveis. Aliado a isso projetos que estimulam a criação de público. Não adianta querer gerar público se não tem produto para aquecê-los e não adianta fomentar a produção de trabalhos se não incentivar e facilitar a consciência cultural. As empresas comandadas por seus empresários e gestores precisam entender que o processo de “ajuda” dando suporte financeiro através de projetos de incentivos sejam eles fiscais ou não, contribuem para o fortalecimento para os todos os lados independentemente se o grupo ou cia for conhecido ou não. Não se deve ter esse preconceito. Que faça uma avaliação antes e presencie o trabalho com um monitoramento. Fato também que muitos não querem ou não podem, por medo de serem pegos na avaliação das finanças por terem caminhos tortos e assim podem parar na fiscalização do governo. Tem que se criar outras formas de incentivos, especificando as funções e determinar uma maior clareza e justiça para contemplar a todos. Deixar de lado falsas alusões e não condenar só porque não se é “conhecido”.
Criar mais cursos profissionalizantes, escolas, faculdades gratuitas ou com apoios privados, analisar o potencial e criar mecanismos eficazes, propor menos impostos, menos burocracia em concessão de locais para trabalhar, gerar intercâmbio, valorizar mais trabalhos locais mesclando com outros, valorizar e destinar verbas para criação dos grupos e cias com trabalhos acompanhados por pessoas profissionais, criar mais mostras amadoras e profissionais em conjunto para que assim se faça a troca de experiências e que se conheçam outras formas de trabalho, estilos, ideias e dinâmicas e escutar mais os envolvidos diretamente e os verdadeiros interessados para avaliar as necessidades. Tudo deve ser prestado contas e isso é indiscutível, mas deve-se proporcionar mais direção. Levar a arte para dentro das escolas, projetos sociais, ONGs, enfim, para todas as partes que possam proporcionar a formação de plateia e futuros trabalhadores e frequentadores das artes. Desses pequenos passos plantar sementes nas crianças e até nos adultos para que assim a cultura se torne uma rotina saudável para eles. Não é só levar a arte para os bairros, é levar o público para o teatro como espaço físico, fazê-los conhecer os pontos culturais da cidade, pois assim também se incentiva e isso é fundamental. A grande maioria não conhece esses espaços. A cultura não é para que cada um pegue, vai embora e retorne com valores a menos. A cultura deve ser absorvida. A postura do governo e do Ministério da Cultura é para dar uma resposta errada para a falta de competência de não saber coordenar uma cultura com um potencial enorme para ser ativa, mas que atualmente está amarrada aos valores interesseiros e demagógicos. Assim o vale cultura quando for usado vai apenas servir para ver Crepúsculo, X-Men, Tropa de Elite, comprar livros de culinária, de autoajuda e cds da banda Calypso, Hugo e Tiago, Rebeldes, entre outros produtos, desde que se encontre esses locais. Nada contra os nomes citados acima, pelo contrário, são formas de cultura, mas a cultura se resume só a isso? Quando você se sentir deslocado e não estiver alinhado com a “onda” cultural do país, é só pensar que dentro do seu bolso tem um cartão que instantaneamente preencherá a sua vida de conhecimentos, facilidades e soluções, e nós artistas trabalharemos em paz, sabedores que nossa bilheteria e nossos trabalhos serão avaliados e assistidos por diversos números magnéticos, caso eles encontrem o caminho da máquina. Uma salva de palmas para a modernização do pensamento ao aquecimento cultural do Brasil e suas mentes brilhantes!

sábado, 22 de junho de 2013

PRÓLOGO "A REVOLUÇÃO DOS CENTAVOS"


Peço licença para não me afastar dos acontecimentos que estão ocorrendo em nosso país. Isso engloba valores acima de qualquer área.





A REVOLUÇÃO DOS CENTAVOS

Desde o descobrimento, ou melhor, o “achamento” do Brasil pelos portugueses, esse belo país foi “governado” por pessoas com comportamentos profanos e decisões mesquinhas. Sempre a classe mais pobre foi sufocada pelos anseios dos mais abastados. O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. Passamos por momentos difíceis como a ditadura militar, onde muitos defendem por ter tido um suposto mérito contra a violência, mas talhou a liberdade de expressão. Veio à democracia, e as Diretas Já foi um ganho da população. Mas até que ponto o povo sobre utilizá-la? Vemos á cada instante ações desprovidas de caráter benéfico para a sociedade. Deparamo-nos com projetos de leis esdrúxulas, algazarras partidárias, CPIS com condenações enganosas, candidatos despreparados e manipulados por correntes maiores e por interesses de legenda, a compra de votos por favores, cestas básicas, bolsas, empregos e promessas. Como disse certo candidato “Pior do que tá não fica!”. Assim baseou-se sua vasta vitória, mostrando o poder de indignação ou protesto dos brasileiros. Mas pode ficar se não transformarmos nossas ações. Políticos desviam verbas cometendo atos de corrupção, e que nunca devolvem, pois basta ter os contatos e as alianças que tudo fica para a nossa famosa “pizza brasileira”. O legado é a saúde que piora, a educação que se baseia apenas em suco, bolacha e professores despreparados e desestimulados, saneamento indo para o ralo, isso é se tivermos um, e a cultura que era tão efetivada e aplaudida nos tempos de Sófocles, Eurípedes, Shakespeare, Ibsen, Beckett, Bernard Shaw, Brecht, Goethe, Pirandello, Dario Fo, Gil Vicente, Molière, Victor Hugo, Sartre, Tchekhov, Agatha Christie, Lorca, Cervantes, Ionesco, Martins Pena, Oduvaldo Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Ariano Suassuna, Augusto Boal, Plínio Marcos, Maria Clara Machado, Nelson Rodrigues, entre outros, e que hoje é tratava como algo supérfluo e até fugaz para os detentores do poder. O Brasil acorda tarde, mas a tempo de mudar. Inúmeros países realizam levantes para protestar e possuir aquilo que nem deveria ser exigido se fosse tratado com honestidade e transparência. Manifestações por todo o território estão enchendo de lágrimas os nossos conterrâneos pelo amor e orgulho da pátria e outras estão caindo pela desonestidade que alguns se utilizam para manchar e realizar manobras para terem ganhos particulares ou de outros. O povo proclama de “Deitado eternamente em berço esplêndido” para “Verás que o filho teu não foge a luta”, e que isso não acabe assim. Que a manifestação do Passe Livre não se acoberte somente com o pedido atendido. Não se vendam por ilusões. Não venham com o discurso que irão se retirar, pois o objetivo já foi atendido. Não nos façam pensar que por trás está cheirando o famoso “cala boca” com um montante de dinheiro e conversas. Esse movimento foi importante para despertar os olhos da nação. Que os centavos de hoje se tornem os milhões investidos e repassados com clareza para quem se deve. Fazemos de um início o princípio de mudanças, que primeiro venha às melhorias e a capacidade de se estruturar para que aí sim possamos mostrar o nosso país e a nossa organização de uma sociedade para o mundo. Atualmente o país está vendido por anos e a conta quem vai pagar serão os filhos dessa pátria. Vamos brasileiros de todas as áreas desse Brasil varonil, rico, pobre e classe média, vamos continuar a luta para que amanhã o lábaro que ostentas seja mesmo estrelado, com orgulho de nossas conquistas. Vamos tapar os buracos da historia com coragem, força e hombridade, e não como fazem com os buracos de nossas cidades que após algum tempo retornam maiores e piores. Gritem a plenos pulmões que o gigante acordou. Vamos fazer que àqueles que já deixaram de sentir orgulho voltem para a terra amada. Vamos acabar com a aniquilação do nosso suor e mostrar que aqui há um país unido e que não importa religião, etnia e raça para mostrar a face da luta. Que o povo se torne heróico e retumbante, que o brilho do céu da nossa pátria possa raiar a todo instante, que tenhamos o penhor da igualdade, que consigamos conquistar com braços fortes, que haja no teu seio mais liberdade e que todos desafiem o peito a própria dignidade. Façamos do Brasil, um sonho intenso, com raios vívidos de amor e de esperança e que a nossa terra cresça na realidade. Nosso povo é belo, é forte, impávido e colosso. O nosso futuro tem que espelhar a nossa grandeza. Vamos caminhar para um novo alvorecer! Nossos lindos campos têm mais flores, nossos bosques tem mais vida, nossa vida no teu seio Brasil mais amores. Que a igualdade, esperança, paz e glória aconteça no presente e no futuro. 
Agora e sempre, seremos eternamente pátria amada Brasil!

terça-feira, 18 de junho de 2013

PRÓLOGO "UVA DOIDA"


UVA DOIDA                       


Conta à história que nas festas em homenagem ao deus Dionísio tudo era regrado de muito vinho e orgia. Sátiros, ninfas e centauros enlouqueciam com os efeitos da bebida e do delírio das festas, e essas celebrações se tornavam eventos alucinógenos. 
Trazendo essa pequena introdução para os tempos de hoje, muitos têm o fascínio e até a curiosidade de conhecer esse universo das artes, nesse caso a televisão e o teatro. Vou me atentar ao universo teatral. As pessoas entram tímidas, com o olhar baixo, introspectivas, voz quase nula e com uma interação muito deficitária. Óbvio que existem pessoas com características contrárias a essas citadas, mas esse tema é para outra matéria. Há muito tempo empresas, escolas e os próprios pais buscam o teatro ou outra forma que envolva certa oratória para melhorar o “falar” e “agir” em público. E fazem muito bem! Porém...esse é um mundo que ao mesmo tempo que favorece pode fazer o ser humano perder-se pelo caminho. As dificuldades são muitas, mas as tentações são ainda maiores. Com a vivência sei que se pode melhorar o falar em público, melhorar o olhar de uma forma mais densa e vibrante e se tornar extrospectivo (a). O que acaba por distorcer o propósito de estar fazendo teatro é a perda da consciência real, independentemente de querer se tornar profissional da área, ou apenas fazer por hobby ou por outra finalidade. O consciente do “poder” que muitos acham que têm, por achar que ao utilizar algo que hoje é muito glamourizado, o faz ser o dono de praças, ruas, parques, das conversas, das festas e das noitadas. Pessoas começam a colocar para fora os sentimentos adormecidos ou que nunca tinham. Com o passar da prática teatral presenciei transformações e inúmeras situações de pessoas que se metamorfaram para melhor, mas um grande número que se metamorfaram para uma vida dúbia e até decadente. Quantas vezes em conversas eu presenciei pessoas falando sobre acontecimentos que há muito não seriam capazes de fazer. Presenciei casos em que as pessoas em festas, celebrações, comemorações e nas famosas baladas mudavam seus comportamentos com o consumo de álcool e de drogas. Claro que o efeito do álcool e da droga altera o comportamento e os reflexos, mas falo de algo que se exacerba com a sua utilização: a falsa aquisição do “poder fazer tudo”. Atores e atrizes e pessoas ligadas, extravasam ao beberem muito, se drogarem muito e começam a promiscuidade em vários sentidos. A “pegação” sem o senso do correto e saudável é um fator. Lembro-me de alguns andarem pelas noites se embebedando e se drogando, e começarem a “representar”, proclamando aos ventos palavras de cunho baixo, querendo chamar à atenção. Roupas eram tiradas e com a certeza que estavam arrasando. Muitos diziam: “Eu sou ator”! “Eu sou atriz”! “Eu posso, pois minha arte é representar.” Não tendo vergonha da ação. A transformação de um ser em seu caráter ocorre desde que não consiga separar bem as coisas. Nós, pessoas ligadas às artes, principalmente atores e atrizes, por representarmos personagens e levarmos histórias ao público, não podemos nos dar o direito de agirmos como pessoas acima da regra e do correto. Muitos discutem o que é ser correto, o que são as regras, o respeito e o bom senso, e isso é um ponto interessante de se discutir, mas em outro momento. Ser ator e atriz não é ser bagunceiro, sair proclamando e quebrando só por sermos talvez mais despojados que muitos. Podemos nos considerar especiais por termos o talento e o privilégio de trabalhar vivenciando muitos mundos e muitas personagens. O que pode nos tornar especiais é ter a disciplina, a coragem de emprestar o nosso corpo, nossa voz e o nosso cérebro para dar vida a outros seres e a nossa mente aberta. Não confundam a índole e não distorçam o trabalho do ator e da atriz. O fazer teatro não dá o direito de alterar o seu caráter. Façam teatro, seja qual for o objetivo, mas respeitem a arte e a você mesmo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

PRÓLOGO "AO APAGAR DAS LUZES"

AO APAGAR DAS LUZES


Os aplausos retratam ou deveriam retratar a aprovação de um bom espetáculo. O que muitos desconhecem é quando ao apagar das luzes, muitas coisas acontecem sem o conhecimento do público geral. Muitos se perguntam: Como aquele ator ou aquela atriz conseguiu determinado papel? Talento? Pode ser! Mas há outros fatores. Teste do sofá? Você já ouviu? É verdade ou mentira? Existe! Quantos atores e atrizes não tiveram que dormir com diretores para conseguir um papel em um espetáculo, novela ou qualquer trabalho relacionado a esses meios. Quantas vezes não tiveram que se entregar as luxúrias desses aproveitadores do sexo que utilizam de sua posição para que ao contato do prazer, viabilizam uma atribuição que deve ser conquistado pelo merecimento do trabalho. Quantas mulheres e homens não se submetem á esse teste para alcançar a fama e se entregam aos delírios de uma noite, tarde ou manhã em um simples fingir do prazer para ter as portas abertas para o tão sonhado estrelato. Não “tiro” da reta a participação dos atores e atrizes que se aproveitam também de seu possível status e usam isso para ganhar suspiros. É comum vermos muitos jovens ingressando no mundo televiso e teatral sem se quer um embasamento e sem um mínimo currículo para tal. Não generalizo todos, pois, com certeza existem talentos e capacitados espalhados por aí, mas o meio que por muitos são alcançados não pode ser a base de garantir uma falsa carreira, onde muitos não poderiam estar sem o seu mérito. Mérito de uma boa transa? Não! Não podemos aceitar isso. Muitas coisas são camufladas sobre os aplausos. A dinâmica desse quesito está se tornando um círculo vicioso que está jogando para escanteio o verdadeiro dom para a arte e a competência para o lúdico. Lúdico são as falsas verdades que são passadas aos amantes das artes. Quando retornam as luzes e o foco se torna o julgamento do trabalho, precisamos ter consciência de que por trás das luzes existem cenas escondidas em uma escuridão podre.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Análise crítica do espetáculo “O Por do Sol” – Cia. QPA

Análise crítica do espetáculo “O Por do Sol” – Cia. QPA – Apresentação no Mapa Cultural de São Carlos de 2013

A Cia. QPA iniciou o seu espetáculo com uma cena que podemos chamar de fazer teatro no teatro. Os atores adentraram ao teatro por uma das portas de entrada na parte superior do palco e desceram o corredor e começaram a dar a intenção que aquele momento era de “apenas” mais um ensaio. Podemos dizer que foi uma maneira interessante. Para quem já tinha assistido ao outro trabalho da Cia. teve a sensação da realização de trabalhos com objetivos diferentes, diversificados. O enredo nos apresenta a figura de um regente chamado Armando que comanda um coro e tem ao seu lado um ajudante chamado Confusão, personagem muito bem pensado, mas com falta de preparo em suas características. Vale ressaltar a composição do personagem Armando que por uma linha muito tênue não se confunde com um mágico, mas com características de um palhaço circense. Do ponto dos primeiros nomes podemos tentar ter uma ideia sobre o espetáculo, criando uma analogia e percebendo que aqueles dois personagens agem como destempero das próximas cenas.
O coro foi uma ideia muito bem sacada pela direção, que teve a proposta de nos mostrar um elemento muito comum na antiga tragédia grega, onde o coro era responsável pela interação com o público mostrando a intenção, o sentimento e o próximo “passo” de cada cena, antes do surgimento do primeiro ator, do segundo, do terceiro, e assim por diante. Antes da própria ação dramática podemos dizer. Mesmo sendo criada a ação do diálogo entre o ator com o coro, depois com os outros atores, o coro continuava tendo a sua representatividade, porém com menos importância. O coro com o objetivo de interlocutor da encenação, logo desapareceu. Com o andamento da peça o coro tem aparições pontuais e de muito bom gosto e com “tiradas” excelentes. Esse regente apresenta o coro como se fosse seu pertence e diz a todo tempo que se trata de uma formatura. Não é nos dado logo de cara o significado das ações e das personagens, mas com o passar das cenas, nos deparamos com o verdadeiro ideal. As cenas retratavam alusões sociológicas atreladas a passagens bíblicas, como o casamento e a dor da falta do amor presente na família. Com algumas interrupções dos personagens Armando e Confusão, podemos perceber que se trata de um ser que se coloca como o regente do destino, o dono da vida alheia. A próxima cena retrata a situação de um filho que escreve uma carta datilografada ao pai que o abandonou. Uma cena bem aparentada com a luz, mas muito longa no seu monólogo. Já nesse decorrer, o espetáculo nos coloca a impressão de uma tragédia com tempero de comédia, mas não podemos chamar de tragicomédia, pois ao decorrer do enredo muda de direção. A cena seguinte relata um pai que sai com o filho para acampar e por um deslize da vida acaba salvando uma criança do afogamento, e ao se arriscar pelo próximo seu filho desaparece nas mãos de um psicopata e a dúvida paira nos olhares, pois, em nenhum momento o texto nos revela se realmente o menino foi morto, mas nos mostra algumas dicas que nos transmitem algumas versões. Dai para frente o espetáculo toma um rumo mais religioso, tratando da relação do Demônio e de Deus, a luta do bem e do mal. Traquinagens e as palavras vingança, perdão, redenção e ressurreição dominam as cenas seguintes. A princípio não senti a emoção da cena passada pelo ator, mas quando uma atriz se apresenta como uma voz a ecoar um “hino” de louvor a Deus, a emoção transgride as barreiras e atinge no peito os corações das pessoas. A relação de afastamento e estreitamento entre o ser que renega á Deus pelo ocorrido e a busca pela salvação de um filho, emociona. O ser renegando a Deus, com o tempo percebe-se que foi preciso perder o filho para poder se salvar. As intervenções dos atores-cantores realçaram a beleza das cenas. A atriz com a sua estatura tão pequena possuía uma voz tão linda. O ator a seguir não fez por menos e encantou os ouvidos e emocionou os olhos do público. A musicalidade encaixou e levou o sentimento para fora da caixa preta. Um fato a destacar é o ruído de um chocalho que nos remete ao guizo da serpente, figura presente em uma parte importante da bíblia. Outro componente bem “sacado” foi à “tirada” da venda da cintura de um dos atores, que serviu para compor a ação. A prisão que nós temos dentro do nosso âmago afeta o ego de quem assisti com tanta força perante aos “arremessos” dos diálogos que a intencionalidade incomoda. A versatilidade dos atores encheram de alegria os aspectos de muitos e penetraram no fundo do coração de outros. A cena da crucificação foi muito criativa, deu uma alusão muito lúdica e simples. A peça terminou com a mensagem do amor de cristo por nós. Muitos elementos lindos. Figurinos corretos com a proposta, o cenário simples e com quase nada de adereços e acessórios. A iluminação cometeu alguns erros, mas nada que diminuísse os momentos de contrastes entre os personagens, principalmente entre o Demônio, Cristo e o ser que o renega.
Fica óbvio o trabalho de direção criativa e de bom gosto. O que pode melhorar é a preparação ainda mais eficaz de cada ator com os seus sentimentos, com a verdade interior e algumas técnicas teatrais. Tirando a questão religiosa, que foi executada com muita beleza, em minha opinião a mudança de panorama do inicio para o meio e fim não se deu de uma forma adequada. A ruptura foi muito rápida e deu a sensação de estar assistindo a outro espetáculo. Faltou um pouco mais de sensibilidade de se perceber realmente a mescla dos elementos no inicio mais cômico intercalado com a tragédia e com o enquadramento da questão da fé e da crença, onde o caminho se transformou em duas mãos: a da imposição e a de uma aceitação mais subjetiva. Essas são observações e uma análise que nunca serão destrutivas, mas sempre com o intuito de poder ajudar.