terça-feira, 23 de julho de 2013

Análise crítica do espetáculo "Maria Peregrina" - Grupo Os Marias

ESPETÁCULO “MARIA PEREGRINA”

Grupo Os Marias da cidade de Pirassununga-SP


O espetáculo se inicia com a disposição além do palco. Os atores se posicionam em diferentes espaços para formar uma imagem de exposição. Ao passar para o palco a estética elaborada e passada para os olhares do público foi muito limpa e bela. Uma árvore muito bem desenhada em sua estrutura e com uma delimitação do espaço de ação cênica dentro do próprio palco, deixando o além do contorno da corda a quebra da construção da personagem. Os cajados realizam um jogo de troca muito eficaz nas mãos dos atores. O jogo de entrar no espaço delimitado faz o ator viver o personagem e construir seu corpo e intenção e ao sair do espaço mostra aos olhos o trabalho do ator que está em consciência do trabalho e de seu papel. Os atores mostram confiança no texto ao buscar o olhar da plateia e focar nos olhos chamando as pessoas para dentro da história. Alguns momentos foram utilizados a imagem e função do coro, recurso utilizado no teatro grego antigo quando o coro tece comentários e narrativas para condução das ações. Preparação física dos atores é muito constante para manter a dinâmica da continuidade das ações. Momento de alusão à cena religiosa quando a personagem mulher cai realizando uma analogia com as três quedas no caminho de Jesus a crucificação e a ajuda que obteve e na peça usou-se a troca dos sexos na ilustração cênica. Em especial me emociona a cena do barqueiro que atravessa as pessoas para os lados do rio como uma analogia a personagem presente no texto de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno), porém com uma finalidade diversa, próprio da característica da região. A fé é demonstrada com sutileza e emoção pelos elementos de criação e execução. Técnicas de posicionamento do palco bem trabalhadas assim como utilização de elementos de sonoplastia, mas que em alguns aspectos deixou de ter a compatibilidade com a história como flautas plásticas. Iluminação muito bem direcionada nas intenções das cenas e na beleza plástica onde ficaram evidenciadas e o resultado foi conciso. A direção foi de papel importante no determinismo de posturas cênicas e na busca da verdade. Figurinos apropriados com a simplicidade do enredo. No final com a movimentação da corda delimitando o espaço de atuação aos meus olhos ficou claro o desenho de um coração que causal ou não “casou” bem com a cena emocionante da dor do coração da mãe a procura de seu filho desaparecido e encontrado na história seu fim na cena do barqueiro. Alguns trejeitos do linguajar deram ao enredo uma estrutura bem construída na ambientação do tempo e localidade, mas com problemas de aceleração em algumas falas dificultaram a compreensão de muitas palavras de um modo extrapolado. Ao propor à troca de posturas de ator e personagem junto com os adereços as situações foram prejudicadas um pouco pelo fato de não assumir o objetivo e seguir uma linearidade durante todo o trabalho. Outro fator que me chamou a atenção foi à cena do beijo que no momento se mostrou sem o cuidado técnico preciso para a execução e foi muito pouco explorado com a leveza e sensação da cena. Em alguns momentos a voz impostada acabou faltando, por motivo de treinamento e preocupação da direção, ou do ator ou pela acústica do espaço, mas que não anula o prejuízo em momentos da história por falta de consciência. A experiência é uma das bases de uma boa e limpa atuação e no elenco percebemos o nervosismo não de todos, mas de poucos, com a ansiedade e falta de “cancha” com a experimentação teatral e de suas nuanças foi demonstrada através de erros a expressão do próprio onde o erro só é entregue para o público se o próprio ator quiser, pois para o público pode fazer parte do texto ou com a concentração do ator aquele erro passa despercebido pelo poder de confiança do ator no que está realizando. Tudo normal quando ainda está se buscando o “casco” na interpretação. Expressão modifica a forma de se ver a sensação e objetivo da cena e em alguns momentos os atores ficaram devendo, pois foram demonstrados diálogos com intenções sempre constantes sem alterações que devem ser comuns dependendo da ação e do seu alcance. Fato que o espetáculo pode evoluir e o mesmo possuí um grande potencial para se expandir pelo país por ter uma potencialidade na construção e na condução da história. Essas são observações e uma análise que nunca serão destrutivas, mas sempre com o intuito de poder ajudar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

PAPO DE COXIA - Complexo de Édipo

PAPO DE COXIA 

Complexo de Édipo

Segundo Sigmund Freud, o Complexo de Édipo verifica-se quando a criança atinge o período sexual fálico na segunda infância e dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar. O conceito foi descrito por Freud e recebeu a designação de complexo por Carl Jung, que desenvolveu semelhantemente o conceito de complexo de Electra.


História 


Freud baseou-se na tragédia de Sófocles (496–406 a.C.), Édipo Rei, para formular o conceito do Complexo de Édipo, a preferência velada do filho pela mãe, acompanhada de uma aversão clara pelo pai.
Na peça (e na mitologia grega), Édipo matou o seu pai Laio e desposou a própria mãe, Jocasta. Após descobrir que Jocasta era sua mãe, Édipo fura os próprios olhos e Jocasta comete suicídio.
Sófocles utilizou este mito para suscitar uma reflexão sobre a questão da culpa e da responsabilidade perante as normas, éticas e tabus estabelecidos na sua sociedade (comportamento que, dentro dos costumes de uma comunidade, é considerado nocivo e lesivo à normalidade, sendo por isto visto como perigoso e proibido aos seus membros). 
No seu ensaio Dostoiévski e o parricídio Freud cita, além de Édipo Rei, duas outras obras que retratam o complexo: Hamlet e Os Irmãos Karamazov.

Análise crítica do espetáculo "O Arquiteto e o Imperador da Assíria" - Cia. de 2

ESPETÁCULO “O ARQUITETO E O IMPERADOR DA ASSÍRIA”

Cia. de 2 da cidade de São José dos Campos –SP


O espetáculo tem a estética da composição da ambientação com um formato de areia no centro do palco com dois galhos secos que estruturam a configuração de um deserto. A chegada de um sobrevivente de um desastre de avião encontra um nativo que nada sabe além de sua visão do que viveu até então. Porém não deixa claro o fato da personagem ser nativo ou ser ele também vítima de um desastre e por conta do tempo adaptado e com isso “perdeu” seu conhecimento e se deixou iludir com a criação de outro ser. A personagem remete em sua acepção do tema e do conhecimento ao Mito da Caverna de Platão onde através desta metáfora é possível conhecer uma importante teoria platônica: como, através do conhecimento, é possível captar a existência do mundo sensível (conhecido através dos sentidos) e do mundo inteligível (conhecido somente através da razão). Outra analogia que se pode fazer é sobre o texto A Vida é Sonho, uma peça teatral do dramaturgo e poeta espanhol Pedro Calderón de la Barca onde existe uma personagem, Segismundo, no âmbito do conhecimento de si mesmo para ter a real noção de seu universo e a personagem do carcereiro, Clotaldo que serve como tutor assim como a personagem do Imperador age com a personagem do ser vivente naquele local. Outro aspecto do cenário é a sua adaptação com a necessidade da cena. Os atores brincam muito com o jogo das palavras e os níveis dos corpos realçando o nível de hierarquia da atuação cênica das personagens. A presença de dois atores não prendeu a criação e a execução do feminino e com um detalhe muito bacana que é não forçar a feminilidade. É viável e necessário as personagens femininas, mas não esquecendo as características do próprio ator, utilizar seus recursos de atuação e não esquecer de sua estrutura vital, ser um homem atuando como mulher sem forçar a barra. Em muitos momentos as construções corporais das personagens se assemelham a de um animal. O enredo leva ao público o místico e a dualidade da sensação da verdade ou mentira das ações. Brincadeiras entre as personagens mostrando a loucura já com o tempo sendo passado em dois anos desde o acidente, tempo esse que pode ser irreal e só mental. A estrutura do contexto introduz muitos aspectos religiosos como crucificação, o mover montanhas e a indagação do poder real de Deus. Uma das cenas mais marcantes foi à alusão aos macacos e a evolução do homem e com a introdução da brincadeira que tudo deverá voltar e o homem deverá se transformar novamente. Outras personagens são retratadas no espetáculo e tudo feito de maneira proposital com auxilio de máscaras introduzidas no enredo. Dentre elas a imagem da mãe do Imperador no qual é discutido seu assassinato ou não e que posteriormente é citado, mas com o foco da condução da peça a ação fica na dúvida da veracidade dos fatos. A crítica das regras e leis se aflora em alguns momentos da história como no tribunal e o massacrante questionamento dos envolvidos. O amor e desejo do filho pela mãe é algo muito analisado ao longo dos tempos como o Complexo de Édipo. A história vai se desenvolvendo com uma dinâmica atraente até sua metade, mas com cenas longas e com o objetivo já alcançado o prolongamento se torna cansativo para a plateia assim como diálogos com construções exauridas. O nu é muito discutido na atuação e só deve ser com o propósito legítimo do conteúdo da mensagem e no espetáculo para mim ficou claro a utilização correta desse artificio. A iluminação foi adequada e precisa no desenrolar e a preparação física e mental dos atores foi de encher os olhos com boa articulação das falas e noção exata do trabalho. A confiança do trabalho fez a atuação dos atores segura. A direção se evidencia no jogo das técnicas de utilização dos recursos explícitos em palco e da noção espacial dos atores e da consciência do trabalho a ser realizado. Tudo termina com alusão ao início e a difusão de uma nova história que faz o público pensar: São alucinações despojadas de sentido ou uma filosofia de demonstrar o real escondido no irreal?
Essas são observações e uma análise que nunca serão destrutivas, mas sempre com o intuito de poder ajudar.



Análise crítica do espetáculo "Números" - Grupo Os Geraldos

ESPETÁCULO “NÚMEROS”

Como toda ansiedade causa efeito de espera gigantesca, na apresentação do primeiro espetáculo do FESTA (Festival São-carlense de Teatro) realizado do dia 15 á 21 de julho, o espetáculo “Números” do Grupo Os Geraldos da cidade de Campinas-SP nos brinda com um início muito intimista com a presença das personagens indo ao encontro do público com carisma e quebrando a distância entre o palco, atuação e plateia. Como vendedores de iguarias eles acabam arrancando sorrisos e desmistificando a participação atuante da plateia no início do espetáculo. Como na tradição mambembe a diversidade dos trabalhos para ajudar na manutenção da sobrevivência no contexto do enredo é demostrada a construção dos atores que revelam isso na atuação inicial. Já no palco a estética da configuração da disposição do espaço de atuação foi resolvida de maneira impar com o formato de um picadeiro com cortinas dando um efeito circense. Tudo sendo conduzido por uma personagem que sem medo de ser e fazer o ridículo acrescenta a comicidade na construção da peça. O ridículo deve ser encarado não como menosprezo, mas sim como um fato importante para a dinâmica na linha da história. Acreditar e viver o ridículo. O ator se mostra confiante e completamente consciente do seu papel e de sua condução. Com aspectos muito próximos a uma personagem do Sitio do Pica Pau Amarelo escrito pelo autor Monteiro Lobato e tão difundido na televisão, essa personagem que muito se assemelha a personagem do Pesadelo, levanta o aspecto infantil e o pensamento arteiro. Com dentes no qual ao olhar nos traz asco, para ele é de uma beleza inocente e as falas com uma aceleração que muito não nos permite o entendimento ficam como um propósito intencional para tornar a personagem engraçada e carismática que de cara conquista o público. A sequencia das personagens e sua ações vão criando pequenas ligações com o público na medida em que seus trabalhos de uma maneira atrapalhada e cômica leva a cena elementos de estudo através de técnicas construídas na história da comicidade. Essas técnicas não são demostradas no espetáculo, mas fica claro a intenção de não usá-las para dar um caráter específico à atuação, mas se percebe um conhecimento delas na memória. Chamo a atenção para o início quando é apresentado uma personagem que ao entrar em cena com uma cadeira começa a construção de ações de um número tantas vezes já realizado pelos tempos pode dar uma beleza com movimentos suaves e de pura condução eficaz com a interação da construção do corpo da personagem que com movimentos repetitivos se torna uma ação característica da personagem. A plateia é levada a ter a consciência que o exagero da maquilagem das personagens, o figurino e as apresentações em cada número é ter a consciência de um enredo livre em eu sentido de condução, mas claro segundo um “norte”, e a indução da percepção da realização de alguns truques. O preparo físico e técnico dos atores revela o trabalho constante e profissional do grupo. A iluminação simples dá um efeito positivo e claro à peça. Gostaria de considerar que em alguns momentos a continuidade e insistência em algumas indicações na “brincadeira” para se tirar o sorriso do público poderia ser evitada com objetivo mais curto e direto e perceber esse paralelo com a perda do foco com o alcançado e o desnecessário. Sobre a direção é nítido notar a parte técnica do palco em sua ocupação e o incentivo aos atores pela busca da experimentação e descobrimento do seu propósito. Para terminar o Grupo Os Geraldos ministrou um workshop sobre a tradição cômica e os princípios da comicidade onde foi introduzida a consciência sobre a trajetória desse gênero e que é tão trabalhado até os dias de hoje e como muitas coisas que já foram feitos e que funcionam bem e que cada um consegue colocar seu “dedo” no trabalho e na execução. Uma tarde muito importante para começar a aguçar a curiosidade da busca pelo conhecimento dessa maneira tão lúdica e tão buscada pelo público. Enfim...o FESTA começou no que se diz respeito em suas apresentações com um trabalho muito cativante e de uma escolha pertinente. Essas são observações e uma análise que nunca serão destrutivas, mas sempre com o intuito de poder ajudar.

sábado, 13 de julho de 2013

POR DENTRO DA CAIXA - TERMOS E UTILIZAÇÕES/ PALCOS

POR DENTRO DA CAIXA




Palco é o local para a apresentação de artistas em peças de teatro, dança, grupos musicais e outros. Em nossos dias, os palcos são construídos com três tipos básicos: palco italiano, palco de semi-arena e palco de arena.

Palco italiano: onde os espectadores ficam apenas de frente. Geralmente situa-se mais distante da platéia;



Palco de semi-arena: constituído de uma plataforma que avança pela platéia, ficando esta disposta e
semicírculo ao seu redor. Ele aproxima mais os espectadores do ator;




Palco de arena: área triangular situada no fundo da platéia. O público senta-se em uma especie de poleiro a seu redor. Geralmente, os teatros de arena são muito pequenos, de modo que os atores e o público mantêm uma relação mais estreita;





Palco elizabetano: Tem a característica de um palco misto. É um espaço fechado, retangular, com uma grande ampliação de proscênio (em formato retangular ou circular). O público o circunda por três lados: Retangular, circular ou misto.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

PRÓLOGO "VALE CULTURA"



VALE CULTURA: UMA COMPROVAÇÃO DA INCOMPETÊNCIA

Um projeto que está sendo levado muito a sério e que está prestes a ser aprovado ou melhor sancionado é a iniciativa do governo de criar um vale cultura. Benefício mensal de R$ 50 para a aquisição de bens culturais por parte de trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos.
Agora, todas as empresas poderão oferecer a seus funcionários o vale, uma das principais bandeiras da gestão Marta Suplicy no Ministério da Cultura. Micro e pequenos empresários, não terão incentivo fiscal para entrar no programa, estão na contra mão das empresas de lucro real que terão mais generosidade do governo: eles poderão destinar ao Vale-Cultura até 1% do Imposto de Renda devido. A isenção fiscal (ou seja, o governo) financia R$ 45 do benefício, e os R$ 5 restantes ficam a cargo do trabalhador ou da empresa. Serão cerca de 42 milhões de beneficiários em potencial, segundo cálculos do MinC. De acordo com um estudo da Fundação Perseu Abramo, 91% dos municípios brasileiros não têm cinema, 79% não possuem teatros ou salas de espetáculo, 70% não contam com centros culturais e apenas 28% dispõem de ao menos uma livraria. O vale virá em cartão magnético, assim como são os cartões de vale-transporte e refeição. Todos os meses o cartão será abastecido com R$ 50, que pode ser acumulado mês a mês. Quando não consegue solucionar problemas o mais óbvio e a maneira mais imediata é criar um tapa buraco para amenizar e calar solicitações de um problema social e que as soluções são amplamente ineficientes.
Simples! Problema resolvido. Dar uma pequena “esmola” as pessoas para terem acesso á cultura. Genial! Não! Claro que não! É o fracasso da gestão em termos educativos e culturais. Há muito cobra-se incentivos a grupos e cias amadoras e profissionais, com mais facilidades e menos burocracia para a capitação de recursos.
Muitas empresas não querem associar sua imagem e marca a cias e grupos desconhecidos e só realizam a parceria com grandes companhias e grupos, com status consagrados e artistas famosos. Correto! Mas em termos. Precisa-se dar crédito e confiar no trabalho de muitos que podem não ter o reconhecimento da grande maioria por falta de mídia e apoio, mas precisam de atenção e assim ter os “olhos” voltados para seus trabalhos para que tenhamos um grande ganho para o fortalecimento da cultura em todo país. Sair do lugar comum. É preciso ter planos de geração de incentivos e fomentar grupos e cias com elementos mais favoráveis. Aliado a isso projetos que estimulam a criação de público. Não adianta querer gerar público se não tem produto para aquecê-los e não adianta fomentar a produção de trabalhos se não incentivar e facilitar a consciência cultural. As empresas comandadas por seus empresários e gestores precisam entender que o processo de “ajuda” dando suporte financeiro através de projetos de incentivos sejam eles fiscais ou não, contribuem para o fortalecimento para os todos os lados independentemente se o grupo ou cia for conhecido ou não. Não se deve ter esse preconceito. Que faça uma avaliação antes e presencie o trabalho com um monitoramento. Fato também que muitos não querem ou não podem, por medo de serem pegos na avaliação das finanças por terem caminhos tortos e assim podem parar na fiscalização do governo. Tem que se criar outras formas de incentivos, especificando as funções e determinar uma maior clareza e justiça para contemplar a todos. Deixar de lado falsas alusões e não condenar só porque não se é “conhecido”.
Criar mais cursos profissionalizantes, escolas, faculdades gratuitas ou com apoios privados, analisar o potencial e criar mecanismos eficazes, propor menos impostos, menos burocracia em concessão de locais para trabalhar, gerar intercâmbio, valorizar mais trabalhos locais mesclando com outros, valorizar e destinar verbas para criação dos grupos e cias com trabalhos acompanhados por pessoas profissionais, criar mais mostras amadoras e profissionais em conjunto para que assim se faça a troca de experiências e que se conheçam outras formas de trabalho, estilos, ideias e dinâmicas e escutar mais os envolvidos diretamente e os verdadeiros interessados para avaliar as necessidades. Tudo deve ser prestado contas e isso é indiscutível, mas deve-se proporcionar mais direção. Levar a arte para dentro das escolas, projetos sociais, ONGs, enfim, para todas as partes que possam proporcionar a formação de plateia e futuros trabalhadores e frequentadores das artes. Desses pequenos passos plantar sementes nas crianças e até nos adultos para que assim a cultura se torne uma rotina saudável para eles. Não é só levar a arte para os bairros, é levar o público para o teatro como espaço físico, fazê-los conhecer os pontos culturais da cidade, pois assim também se incentiva e isso é fundamental. A grande maioria não conhece esses espaços. A cultura não é para que cada um pegue, vai embora e retorne com valores a menos. A cultura deve ser absorvida. A postura do governo e do Ministério da Cultura é para dar uma resposta errada para a falta de competência de não saber coordenar uma cultura com um potencial enorme para ser ativa, mas que atualmente está amarrada aos valores interesseiros e demagógicos. Assim o vale cultura quando for usado vai apenas servir para ver Crepúsculo, X-Men, Tropa de Elite, comprar livros de culinária, de autoajuda e cds da banda Calypso, Hugo e Tiago, Rebeldes, entre outros produtos, desde que se encontre esses locais. Nada contra os nomes citados acima, pelo contrário, são formas de cultura, mas a cultura se resume só a isso? Quando você se sentir deslocado e não estiver alinhado com a “onda” cultural do país, é só pensar que dentro do seu bolso tem um cartão que instantaneamente preencherá a sua vida de conhecimentos, facilidades e soluções, e nós artistas trabalharemos em paz, sabedores que nossa bilheteria e nossos trabalhos serão avaliados e assistidos por diversos números magnéticos, caso eles encontrem o caminho da máquina. Uma salva de palmas para a modernização do pensamento ao aquecimento cultural do Brasil e suas mentes brilhantes!

sábado, 22 de junho de 2013

PRÓLOGO "A REVOLUÇÃO DOS CENTAVOS"


Peço licença para não me afastar dos acontecimentos que estão ocorrendo em nosso país. Isso engloba valores acima de qualquer área.





A REVOLUÇÃO DOS CENTAVOS

Desde o descobrimento, ou melhor, o “achamento” do Brasil pelos portugueses, esse belo país foi “governado” por pessoas com comportamentos profanos e decisões mesquinhas. Sempre a classe mais pobre foi sufocada pelos anseios dos mais abastados. O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. Passamos por momentos difíceis como a ditadura militar, onde muitos defendem por ter tido um suposto mérito contra a violência, mas talhou a liberdade de expressão. Veio à democracia, e as Diretas Já foi um ganho da população. Mas até que ponto o povo sobre utilizá-la? Vemos á cada instante ações desprovidas de caráter benéfico para a sociedade. Deparamo-nos com projetos de leis esdrúxulas, algazarras partidárias, CPIS com condenações enganosas, candidatos despreparados e manipulados por correntes maiores e por interesses de legenda, a compra de votos por favores, cestas básicas, bolsas, empregos e promessas. Como disse certo candidato “Pior do que tá não fica!”. Assim baseou-se sua vasta vitória, mostrando o poder de indignação ou protesto dos brasileiros. Mas pode ficar se não transformarmos nossas ações. Políticos desviam verbas cometendo atos de corrupção, e que nunca devolvem, pois basta ter os contatos e as alianças que tudo fica para a nossa famosa “pizza brasileira”. O legado é a saúde que piora, a educação que se baseia apenas em suco, bolacha e professores despreparados e desestimulados, saneamento indo para o ralo, isso é se tivermos um, e a cultura que era tão efetivada e aplaudida nos tempos de Sófocles, Eurípedes, Shakespeare, Ibsen, Beckett, Bernard Shaw, Brecht, Goethe, Pirandello, Dario Fo, Gil Vicente, Molière, Victor Hugo, Sartre, Tchekhov, Agatha Christie, Lorca, Cervantes, Ionesco, Martins Pena, Oduvaldo Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Ariano Suassuna, Augusto Boal, Plínio Marcos, Maria Clara Machado, Nelson Rodrigues, entre outros, e que hoje é tratava como algo supérfluo e até fugaz para os detentores do poder. O Brasil acorda tarde, mas a tempo de mudar. Inúmeros países realizam levantes para protestar e possuir aquilo que nem deveria ser exigido se fosse tratado com honestidade e transparência. Manifestações por todo o território estão enchendo de lágrimas os nossos conterrâneos pelo amor e orgulho da pátria e outras estão caindo pela desonestidade que alguns se utilizam para manchar e realizar manobras para terem ganhos particulares ou de outros. O povo proclama de “Deitado eternamente em berço esplêndido” para “Verás que o filho teu não foge a luta”, e que isso não acabe assim. Que a manifestação do Passe Livre não se acoberte somente com o pedido atendido. Não se vendam por ilusões. Não venham com o discurso que irão se retirar, pois o objetivo já foi atendido. Não nos façam pensar que por trás está cheirando o famoso “cala boca” com um montante de dinheiro e conversas. Esse movimento foi importante para despertar os olhos da nação. Que os centavos de hoje se tornem os milhões investidos e repassados com clareza para quem se deve. Fazemos de um início o princípio de mudanças, que primeiro venha às melhorias e a capacidade de se estruturar para que aí sim possamos mostrar o nosso país e a nossa organização de uma sociedade para o mundo. Atualmente o país está vendido por anos e a conta quem vai pagar serão os filhos dessa pátria. Vamos brasileiros de todas as áreas desse Brasil varonil, rico, pobre e classe média, vamos continuar a luta para que amanhã o lábaro que ostentas seja mesmo estrelado, com orgulho de nossas conquistas. Vamos tapar os buracos da historia com coragem, força e hombridade, e não como fazem com os buracos de nossas cidades que após algum tempo retornam maiores e piores. Gritem a plenos pulmões que o gigante acordou. Vamos fazer que àqueles que já deixaram de sentir orgulho voltem para a terra amada. Vamos acabar com a aniquilação do nosso suor e mostrar que aqui há um país unido e que não importa religião, etnia e raça para mostrar a face da luta. Que o povo se torne heróico e retumbante, que o brilho do céu da nossa pátria possa raiar a todo instante, que tenhamos o penhor da igualdade, que consigamos conquistar com braços fortes, que haja no teu seio mais liberdade e que todos desafiem o peito a própria dignidade. Façamos do Brasil, um sonho intenso, com raios vívidos de amor e de esperança e que a nossa terra cresça na realidade. Nosso povo é belo, é forte, impávido e colosso. O nosso futuro tem que espelhar a nossa grandeza. Vamos caminhar para um novo alvorecer! Nossos lindos campos têm mais flores, nossos bosques tem mais vida, nossa vida no teu seio Brasil mais amores. Que a igualdade, esperança, paz e glória aconteça no presente e no futuro. 
Agora e sempre, seremos eternamente pátria amada Brasil!